08/06/2026

IFRS S1 e S2: prazos, impactos e o que sua empresa já deveria estar fazendo

Egor Marcon

Escrito por:
Egor Marcon

Gerente Comercial & Tecnologia
Normas internacionais, especialmente a IFRS S1 e S2, passaram a ocupar um papel central na transformação da forma como o mercado financeiro avalia o desempenho das organizações em relação à sustentabilidade.
IFRS S1 e S2: prazos, impactos e o que sua empresa já deveria estar fazendo

Nos últimos anos, as normas International Sustainability Standards Board (ISSB), especialmente a IFRS S1 e S2, passaram a ocupar um papel central na transformação da forma como o mercado financeiro avalia o desempenho das organizações em relação à sustentabilidade.

Nesse novo contexto, a sustentabilidade deixa de ser tratada como elemento reputacional ou institucional e passa a ser reconhecida como informação material, diretamente relacionada à tomada de decisão de investidores, concessão de crédito e valuation das empresas.

Esta implementação é uma agenda global e no Brasil possui prazos bem definidos, com impactos relevantes para as organizações de diversos setores. Leia o conteúdo e não fique para trás.


O que são, de fato, as IFRS S1 e S2?

As normas IFRS S1 e S2 foram desenvolvidas pelo ISSB, no âmbito da IFRS Foundation, com o objetivo de estabelecer um padrão global único para divulgação de informações de sustentabilidade com impacto financeiro. Sua estrutura está alinhada aos princípios ESG (Ambiental, Social e Governança) e busca resolver um dos principais desafios enfrentados até então: a ausência de padronização, comparabilidade e integração entre dados de sustentabilidade e demonstrações financeiras. A adoção dessas normas representa um avanço significativo na qualidade, consistência e confiabilidade das informações reportadas ao mercado.


IFRS S1: sustentabilidade conectada ao desempenho financeiro

A IFRS S1 estabelece os requisitos gerais para divulgação de informações relacionadas à sustentabilidade que possam afetar a posição financeira da empresa. A norma está estruturada em quatro pilares fundamentais:

Governança
Define como a organização supervisiona e estrutura a gestão de riscos e oportunidades ligados à sustentabilidade.

Estratégia
Avalia como esses fatores impactam o modelo de negócio, a geração de valor e o planejamento de longo prazo.

Gestão de riscos
Abrange os processos de identificação, avaliação e resposta aos riscos e oportunidades.

Métricas e metas
Estabelece os indicadores utilizados para monitorar desempenho e evolução, bem como os objetivos definidos pela organização.

A IFRS S1 consolida a necessidade de integrar sustentabilidade à gestão estratégica e financeira, promovendo maior transparência e comparabilidade entre empresas.


IFRS S2: clima, riscos e oportunidades

A IFRS S2 complementa a S1 ao tratar especificamente das questões relacionadas ao clima, com foco na avaliação de riscos e oportunidades climáticas sob a ótica financeira. Entre os principais aspectos abordados, destacam-se os riscos físicos, como eventos climáticos extremos, mudanças de temperatura, escassez hídrica; os riscos de transição, que são as mudanças regulatórias, precificação de carbono e evolução tecnológica; oportunidades associadas à economia de baixo carbono e a análise de cenários em diferentes horizontes temporais, culminando na avaliação de impactos financeiros potenciais e na definição e no acompanhamento de metas climáticas. Um ponto crítico da IFRS S2 é a exigência de integração direta com as demonstrações financeiras, reforçando sua conexão estrutural com a IFRS S1.


O cenário no Brasil

O Brasil está entre os países que avançaram na adoção dessas normas, por meio da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com a publicação da Resolução CVM nº 193.

O cronograma atual estabelece:

2024: adoção voluntária;
2026: início da obrigatoriedade para companhias abertas;
2027: divulgação dos relatórios referentes ao exercício de ano-base 2026.

Esse movimento sinaliza uma mudança concreta no mercado, que já começa a demandar maior maturidade e preparo das organizações.


O impacto real nas empresas

A implementação das IFRS S1 e S2 exige um nível de maturidade organizacional que vai além da área financeira. Na prática, envolve a estruturação de dados confiáveis, auditáveis e integrados e processos robustos de governança. Somado a isso, indicadores consistentes de desempenho e risco e rastreabilidade das informações dão maior confiabilidade ao caráter da empresa, e a integração entre operação, sustentabilidade e finanças permitem a construção de um cenário atualizado. Muitas organizações ainda não possuem esses elementos estruturados, o que torna a adequação um desafio relevante.


Onde as normas começam, de fato?

Um equívoco comum é considerar que as IFRS S1 e S2 têm início na área financeira, quando sua base está na operação. Os dados que suportam os relatórios financeiros, especialmente aqueles relacionados à sustentabilidade, dependem diretamente de uma gestão eficiente de ativos e um controle de estoques e insumos, juntamente com um bom monitoramento de perdas e desperdícios e integração de dados entre áreas operacionais. Sem essa base estruturada, não é possível garantir a confiabilidade das informações reportadas.


Conexão estratégica com a FERCIEN

Nesse cenário, a FERCIEN atua em um ponto crítico para viabilizar a conformidade com as IFRS S1 e S2: o fortalecimento da base operacional e informacional das empresas. Essa atuação se conecta diretamente aos requisitos das normas, uma vez que é notável que a governança depende de controle efetivo de processos e métricas exigem dados confiáveis e consistência operacional, para a realização de relatórios confiáveis. A gestão de riscos requer rastreabilidade, pois sem uma base estruturada, não há reporte confiável.



Para onde o mercado está caminhando

A adoção das IFRS S1 e S2 consolida uma mudança definitiva: a sustentabilidade passa a ser mensurável, comparável e auditável, integrando-se às decisões financeiras e estratégicas. Nesse novo ambiente, empresas que se anteciparem e estruturarem seus processos terão vantagem competitiva relevante. Por outro lado, aquelas que postergarem essa adaptação estarão mais expostas a custos elevados e maior pressão do mercado.


Mais do que uma exigência regulatória, trata-se de uma evolução na forma de gerir, reportar e gerar valor.


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Autores
Celsoir Benetti Delci Ferrari Roberto Ferrari Egor Marcon
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