12/01/2026
REARP: o que grandes empresas do Lucro Real precisam avaliar antes de aderir

Escrito por:
FERCIEN
A defasagem na atualização monetária de ativos de longo
prazo, como imóveis e veículos, gera uma distorção recorrente na tributação
brasileira: empresas acabam pagando imposto sobre ganhos nominais,
influenciados pela inflação, e não sobre o ganho econômico real. O Regime
Especial de Atualização e Regularização Patrimonial (REARP) surge como uma
alternativa para mitigar esse problema, ao permitir a atualização do valor
contábil dos bens para o valor de mercado com tributação reduzida e definitiva.
Instituído pela Lei nº 15.265/2025, o REARP pode ser aderido
até 19 de fevereiro de 2026, representando uma oportunidade excepcional
para revisão patrimonial. Para pessoas jurídicas, a diferença entre o valor
contábil histórico e o valor de mercado é tributada à alíquota total de 8%
(IRPJ e CSLL), significativamente inferior à carga aproximada de 34%
incidente sobre o ganho de capital em uma venda futura.
A reavaliação impacta diretamente o ativo imobilizado e o
patrimônio líquido, fortalecendo a estrutura de capital e melhorando
indicadores de endividamento e covenants bancários. Contabilmente, o ajuste é
registrado em reserva de reavaliação, sem transitar pelo resultado. Já a
depreciação passa a ocorrer sobre o valor reavaliado apenas para fins
contábeis, permanecendo, do ponto de vista fiscal, limitada ao custo histórico.
Essa diferença gera adição permanente no Lucro Real e exige controle rigoroso.
Entre os principais benefícios do REARP estão a redução da
tributação futura, maior transparência das demonstrações financeiras e apoio a
processos de reorganização societária. Em contrapartida, a adesão envolve
desembolso antecipado de imposto, impacto negativo em indicadores de
rentabilidade no curto prazo e restrições quanto à alienação dos bens durante o
período de carência.
Dessa forma, o REARP deve ser encarado como uma decisão
estratégica de balanço, indicada especialmente para empresas com ativos
fortemente defasados, necessidade de fortalecimento patrimonial e visão de
longo prazo. Uma análise técnica prévia é essencial para garantir que os ganhos
fiscais e financeiros superem os custos e riscos envolvidos.
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