13/10/2026

Coletores de Dados para Áreas Classificadas: o que você precisa saber antes de escolher um equipamento

Egor Marcon

Escrito por:
Egor Marcon

Gerente Comercial & RFID
Entenda como os coletores de dados para áreas classificadas garantem segurança e eficiência em ambientes com risco de explosão.
Coletores de Dados para Áreas Classificadas: o que você precisa saber antes de escolher um equipamento

O que é uma área classificada?

Área classificada é qualquer espaço onde, em condições normais ou ocasionais de operação, pode haver concentração de substâncias inflamáveis no ar suficiente para causar uma explosão caso encontre uma fonte de ignição. Isso inclui:
  • Gases e vapores inflamáveis, comuns em refinarias, plantas petroquímicas, indústria farmacêutica e postos de combustível.
  • Poeiras combustíveis, presentes em silos de grãos, indústrias de papel, madeira, alimentos e produtos têxteis.
  • Fibras inflamáveis, encontradas em algumas indústrias têxteis e de processamento de algodão.
A ideia central é simples: onde existe "combustível" no ar, qualquer equipamento eletrônico é uma fonte potencial de ignição, seja por uma faísca de contato elétrico, seja pelo simples aquecimento de um componente interno.

Entendendo as zonas: Zona 0, 1 e 2 (e as áreas de poeira 20, 21, 22)

A classificação por zonas segue a lógica de probabilidade e tempo de exposição ao risco. É comum ver a referência a "Zona 1, 2, 3" no mercado, mas vale esclarecer a nomenclatura técnica oficial, porque ela costuma gerar confusão:
Para gases e vapores (padrão internacional IEC / ATEX)
  • Zona 0: atmosfera explosiva presente continuamente ou por longos períodos.
  • Zona 1: atmosfera explosiva com probabilidade de ocorrer em operação normal.
  • Zona 2: atmosfera explosiva pouco provável, e quando ocorre, por curto período.
Para poeiras combustíveis (equivalente às anteriores)
  • Zona 20, Zona 21 e Zona 22 seguem a mesma lógica de probabilidade, mas aplicadas a ambientes com poeira em vez de gás.
No padrão americano (NEC / CSA)
Em vez de zonas, os EUA e o Canadá historicamente usam o sistema de Classes e Divisões:
  • Class I (gases/vapores) ou Class II (poeiras)
  • Division 1 (risco presente em operação normal) ou Division 2 (risco só em condição anormal/falha)
Na prática, ao pesquisar um equipamento, você vai ver ele descrito com uma "etiqueta" de certificação que combina zona/classe, grupo de gás e classe de temperatura: é essa etiqueta que diz, de fato, onde aquele coletor pode ser usado com segurança.

Por que um coletor de dados comum não pode ser usado nessas áreas

Um coletor de dados "convencional" não foi projetado pensando em contenção de risco de ignição. Ele pode gerar:
  • Arco elétrico ao conectar/desconectar bateria ou cabo;
  • Aquecimento de componentes internos acima da temperatura de autoignição de determinados gases;
  • Descarga eletrostática na carcaça, dependendo do material.
Qualquer um desses eventos, em contato com uma atmosfera explosiva, pode ser suficiente para iniciar um incêndio ou explosão. É justamente por isso que a certificação não é um "selo de qualidade" opcional: é um requisito de segurança e, na maioria dos casos, também uma exigência legal e normativa para operar dentro da planta.

O que torna um coletor de dados "classificado"?

Os fabricantes usam diferentes técnicas de proteção para tornar um equipamento seguro em área classificada. As mais comuns em coletores de dados portáteis são:
  • Segurança intrínseca (Ex ia / Ex ib): o circuito interno é projetado para nunca liberar energia elétrica ou térmica suficiente para causar ignição, mesmo em caso de falha. É a técnica mais comum em coletores portáteis, por manter o equipamento leve.
  • Encapsulamento/Invólucro à prova de explosão (Ex d): a eletrônica fica dentro de um invólucro robusto o suficiente para conter uma eventual explosão interna, impedindo que ela se propague para fora. Mais comum em equipamentos fixos ou de maior porte.
  • Encapsulamento (Ex m): componentes potencialmente geradores de faísca são revestidos em resina, isolando-os fisicamente da atmosfera.
Além do princípio de proteção, o equipamento também recebe uma classificação de grupo de gás (que tipo de substância ele suporta) e classe de temperatura (a temperatura máxima de superfície que ele pode atingir), formando a etiqueta completa de certificação.

ATEX, IECEx e NEC/CSA: qual a diferença?

PADRÃOREGIÃO DE REFERÊNCIAAPLICAÇÃO TÍPICA
ATEXUnião EuropeiaObrigatório para equipamentos comercializados/usados na UE
IECExInternacional (reconhecido globalmente)Facilita reconhecimento entre países signatários, reduzindo recertificações
NEC/CSAEstados Unidos e CanadáSistema de Classes e Divisões, próprio da região

Na prática, muitos fabricantes certificam o mesmo equipamento em mais de um padrão, justamente para viabilizar a venda em diferentes mercados. Para quem está comprando, o mais importante não é decorar as siglas, mas sim confirmar que a certificação do equipamento é compatível com a classificação de área do seu site, informação que normalmente é definida pelo time de segurança/engenharia da própria planta, com base em um estudo de classificação de área.


Onde esses coletores são usados na prática

  • Refinarias e plantas petroquímicas (apontamento de manutenção, inspeção de tanques e dutos)
  • Indústria química e farmacêutica (rastreamento de lotes, controle de matéria-prima)
  • Mineração (controle de ativos e insumos em áreas com risco de poeira/gás)
  • Terminais de armazenamento de combustível
  • Indústria de grãos e alimentos (silos com risco de poeira combustível)
  • Indústria têxtil e de processamento de fibras

Em todos esses casos, o coletor cumpre a mesma função de um equipamento convencional (leitura de código de barras, RFID, apontamento de dados), mas com a garantia de que pode estar presente na área sem representar um risco adicional de ignição.


Como avaliar a escolha de um coletor classificado

Antes de decidir por um modelo, alguns pontos merecem atenção:

  1. Classificação da área: qual zona/classe e divisão foi definida para o local de uso (essa informação normalmente já existe no estudo de área classificada da planta).
  2. Grupo de gás e classe de temperatura: o equipamento precisa ser compatível com a substância presente, não apenas com a zona.
  3. Certificação aplicável: ATEX, IECEx, NEC/CSA ou uma combinação, dependendo de onde o equipamento será usado.
  4. Autonomia e ergonomia: equipamentos certificados costumam ser mais robustos (e às vezes mais pesados) que os convencionais, o que impacta o uso em jornadas longas.
  5. Compatibilidade com o sistema já existente: capacidade de integração com o sistema de gestão, ERP ou WMS já utilizado pela operação.


Conheça as opções de coletores de dados para áreas classificadas


A escolha do equipamento ideal depende das características da área, dos requisitos de segurança e das necessidades da operação. Para conhecer as opções disponíveis, confira nossos coletores de dados classificados:

  • BARTEC SP9EX1 Smartphone — Smartphone 5G compacto, certificado para Zona 1 e Divisão 1, desenvolvido para profissionais que atuam em áreas com risco de explosão. Com Android 15, gravação de vídeos em 4K e recursos para registro de imagens em condições desafiadoras, oferece comunicação confiável e eficiência nas operações de campo.
  • BARTEC SC9EX1 Scanner Inteligente — Smartscanner 5G compacto, certificado para Zona 1 e 21, desenvolvido para captura precisa e eficiente de dados em áreas classificadas. Equipado com mecanismo de leitura Zebra®, Android 15 e gravação de vídeos em 4K, oferece confiabilidade e segurança para operações de campo, gestão de estoque e inspeções industriais.

Acesse as páginas dos produtos para consultar suas especificações e avaliar qual solução é mais adequada à sua operação.


Perguntas frequentes

Coletor de dados comum pode ser adaptado para área classificada? Não. A certificação depende do projeto físico e elétrico do equipamento desde a fabricação, não é algo que se adiciona depois com um acessório ou capa externa.


Toda a planta industrial precisa de equipamentos classificados? Não necessariamente. Só as áreas efetivamente classificadas como de risco (definidas em estudo técnico específico) exigem esse tipo de equipamento. Áreas administrativas ou operacionais sem risco de atmosfera explosiva podem usar coletores convencionais normalmente.


Qual a diferença entre segurança intrínseca e à prova de explosão? Segurança intrínseca limita a energia do circuito para que nunca haja faísca ou calor suficiente para ignição. À prova de explosão permite que uma explosão aconteça dentro do invólucro, mas o contém para que não se propague para a atmosfera externa. São filosofias de proteção diferentes, ambas válidas dependendo da aplicação.


Um equipamento certificado em ATEX também pode ser usado no Brasil? O Brasil segue majoritariamente o padrão IEC (e por consequência tem proximidade técnica com ATEX/IECEx), mas a certificação formal para uso local segue as normas da ABNT NBR IEC 60079 e exige, em geral, certificação de organismo acreditado no país. Vale sempre confirmar com o time de engenharia/segurança da planta.

Autores
Ruam dos Santos Leandro Bueno Roberto Ferrari Egor Marcon
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